A ideologia do politicamente correto está acabando
com a Universidade. É curioso que, na sanha de descontruir a Universidade, a
correção política pode se auto-forcluir. Uma deliciosa história contada por
William Clark (2006) sugere que a fúria proibicionista do politicamente correta
pode reservar-lhe o mesmo destino do Índex Austríaco, o “Catalogus Librorum
rejectorum per Consessum”.
Clark conta que, aí pela metade do Século XVIII, as
elites intelectuais austríacas não agüentavam mais a tutela dos Jesuítas. A
Imperatriz Maria Theresa resolveu então permitir que leigos assumissem encargos
didáticos no Império Austro-Húngaro. Qual foi a primeira coisa que os iluminados
fizeram? Instituiram um Índex de livros proibidos, tal como faziam os Jesuítas.
Parece que o tal catálogo dos livros proibidos acabou
virando um sucesso. Até o
Werther do Goethe entrou na festa. O negócio virou um best-seller. Editoras
privadas passaram a imprimí-lo. O Catálogo acabou virando uma espécie de “Who
is who” da Cultura Germânica. Se você quisesse escolher um livro interessante
para ler ou descobrir colegas com idéias originais, bastava consultar o tal
Catálogo. Assim a estrovenga ganhou uma utilidade imprevista. Dizem que o
sucesso foi tanto, que o Catálogo acabou se auto-proibindo.
Tomara que aconteça a mesma coisa com o politicamente
correto. O negócio está tão ridículo que eu tenho usado a correção política como
guia especular para descobrir a verdade. Se alguma idéia é considerada
politicamente incorreta, então ela pode ter alguma coisa de verdade. Tomara que
no afã de proibir o preconceinto, eles acabem por proibir o preconceito de não
ter preconceitos. Infelizmente, a Universidade pode não sobreviver até lá.
Referência
Clark,
W. (2006). Academic charisma and the origins of the research university. Chicago: Chicago University Press.
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